Terça-feira, 26 de Dezembro de 2006

O elefante bebé (2ª parte)

 

 

 

A manada aproximou-se mais e a cria correu na sua direcção. O elefante chefe avançou de imediato, agarrou no elefante bebé com a tromba e atirou-o brutalmente para longe. A cria de nove horas de vida aterrou com força no chão, onde permaneceu imóvel. "Não é raro uma manada de elefantes adoptar um ´órfão", comentou novamente o narrador. "O comportamento agressivo que acabaram de observar deve-se à extrema secura da savana. Demasiado preocupados em sustentar os seus próprios elementos, estes elefantes não podem acolher mais um. Para o chefe, o recém-nascido perdido constitui uma ameaça para a sobrevivência da manada e age segundo essa perspectiva."


Cláudia queria correr para junto da cria, mas o deserto formava uma barreira intransponível ao seu redor. - Corre, bebé, corre! - incitou. Por fim, a cria mexeu-se. Abanou a cabeça e, com dificuldade, pôs-se de pé. As patas tremiam-lhe. Cláudia julgou que ele voltaria a cair, mas o pequeno elefante baixou a cabeça, apelou às forças que lhe restavam e pôs-se novamente a caminho. A manada ainda continuava à vista e a cria precipitou-se atrás dela. Um jovem elefante virou-se e deu uma patada na cabeça da pequena cria, que caiu gemendo. A cena repetiu-se e dois outros elefantes machos aproximaram-se. O pequeno elefante correu para eles e voltou a ser brutalmente repelido. Lançaram-no ao chão. Ele pôs-se de novo de pé. Deitaram-no ao chão duro e fendido. Depois viraram-se e afastaram-se pesadamente. - Corre, bebé, corre! - sussurrou Cláudia, rompendo em soluços. A cria voltou a levantar-se penosamente. Sangrava da cabeça e as moscas já voavam em redor da carne ensanguentada. Ainda acabara de nascer e já se via confrontado com a tragédia da vida. Deu um passo e depois mais outro. Seguiu a manada sem gemer nem se aproximar, a fim de evitar que o maltratassem de novo. Três horas depois, a manada encontrou um charco. Os paquidermes aproximaram-se da água lodosa. De acordo com o narrador o órfão recém-nascido esperava que eles se saciassem até chegar a sua vez.


Cláudia respirou, por fim, mais calma. Estava convencida de que a cria se salvara. Tranquilizados pela presença da água, os paquidermes podiam agora ajudar o órfão. Devido à sua coragem e persistência, ele merecia ser aceite pela manada. A prova terminara e o conto podia ter um final feliz. Foi nesse preciso momento que avistou os chacais. Num abrir e fechar de olhos, precipitaram-se sobre o pequenino elefante e despedaçaram-no sob o olhar indiferente dos outros elefantes. Cláudia acordou sobressaltada. Os gemidos dilacerantes da cria moribunda ainda lhe soavam aos ouvidos e as lágrimas corriam-lhe pelas faces. Levantou-se pesadamente da cama. O quarto estava silencioso. Eram três da madrugada e a noite reinava, escura e densa. As mãos tremiam-lhe e tinha a sensação de que o próprio corpo não lhe pertencia. E desejava... Desejava que David estivesse ali.

publicado por delta às 23:04
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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

O elefante bebé

Cláudia regressou a casa sozinha. Exausta. Tomou um duche e meteu-se na cama. Só, desesperadamente só. Teve uma noite cheia de pesadelos. Encontrava-se num deserto nas profundezas de África. Reconheceu o lugar por já o ter visto uma noite no Canal Discovery. No seu sonho, as cenas do documentário misturavam-se com as da sua realidade, em tempo real. Vastas extensões desertas desvastadas por uma seca horrível. Um elefante bebé, acabado de sair do ventre da mãe, ergueu-se desajeitadamente nas patas, ainda pegajoso, no momento em que a mãe expirou. - Corre, bebé, corre - ouviu Cláudia a sua própria voz enquanto observava a cena de longe, sem poder ajudar e sem saber porque sentia aquele medo instintivo.
A cria acabou por se afastar penosamente da mãe, depois de ter tentado mamar em vão. Cláudia seguiu-o através do deserto. O calor era intenso, quase palpável, e a terra fendida estalava sob os seus pés. O elefante bebé orfão soltava pequenos gemidos enquanto procurava comida e companhia. Ao chegar junto de um bosque de árvores semimortas esfregou o corpo num tronco. "O paquiderme recém-nascido confunde o tronco de uma árvore com as patas da mãe", dizia a voz do comentador. "Esfrega-se contra ele para assinalar a sua presença e procurar conforto. Esgotado, continua a sua busca de comida e de água através da savana ressequida." - Corre, bebé, corre - sussurrou novamente Cláudia. A cria prosseguiu caminho. À medida que as horas passavam, avançava cada vez com mais dificuldade e caía frequentemente, voltando a levantar-se mal recuperava algumas forças. "O elefantezinho precisa urgentemente de encontrar água", prosseguiu o narrador num tom monótono. "Em pleno deserto, a água é a única diferença entre a vida e a morte." De súbito, uma manada de elefantes recortou-se no horizonte. Aproximaram-se e Cláudia não tardou a avistar pequenas crias que avançavam prudentemente à sombra das mães. Quando a manada parou, os bebés aproveitaram para mamar, acariciados pelas trombas das mães. Cláudia sentiu-se aliviada. Outros elefantes tinham aparecido e o pequeno orfão estaria a salvo. (Continua)


publicado por delta às 00:33
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Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006

Florestas do mar (I)

 

Enquanto em terra firme, predominam os bosques e as florestas vegetais, no fundo dos mares existe outro tipo de arvoredo, formado por animais. As engenhosas adaptações destes organismos submersos levam a que eles sejam supreendentemente parecidos com plantas. Alameda de gorgónias


Uma característica dos animais que constroem os bosques marinhos é a utilizada pelas gorgónias-leque das ilhas da Baía, nas Honduras: vivem agarradas ao substrato, como as árvores, mas, como não têm raízes, captam o alimento que flutua em suspensão. Para o interceptarem, colocam~se em posição perpendicular ao principal fluxo da corrente.

Jardins de coral



Os arquitectos dos recifes de coral, a principal floresta animal, criam esqueletos calcários com o auxílio das algas minúsculas que habitam no seu interior. Os corais adquirem formas diferentes consoante a sua fisiologia e as condições ambientais; há exemplares duros, moles, ramificados... Com a passagem do tempo, as estruturas formam barreiras, atóis, plataformas ou extensões ao longo da costa, autênticos jardins do mar

 


publicado por delta às 00:47
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