Sábado, 5 de Agosto de 2006

Touradas e tradições



Cultura é tudo aquilo que contribui para tornar a humanidade mais sensível, mais inteligente e civilizada. A violência, o sangue, a crueldade, tudo o que humilha e desrespeita a vida jamais poderá ser considerado "arte" ou "cultura". A violência é a negação da inteligência.
Uma sociedade justa não pode admitir actos eticamente reprováveis cujas vítimas directas são milhares de animais.



Por trás da suposta bravura dos cavaleiros tauromáquicos, dos bandarilheiros, dos forcados e dos demais intervenientes neste espectáculo medieval e degradante, esconde-se uma triste e horrível realidade – a perseguição, molestação e violentação de touros e cavalos que, aterrorizados e diminuídos nas suas capacidades físicas, são forçados a participar num espectáculo de sangue em que a arte é a violência e a tortura é a cultura.

  

Uma minoria quer manter as touradas e as praças de touros, bárbara e sangrenta reminiscência das arenas da decadência do Império Romano.
De facto nas arenas de hoje o crime é o mesmo: tortura, sangue, sofrimento e morte de seres vivos para divertimento das gentes das bancadas. Como pode continuar tamanha barbaridade como esta, das touradas, no século XXI?
Só pode permanecer como tradição o que engrandece a humanidade e não os costumes aberrantes que a degradam e a embrutecem.

É de facto difícil afirmar o que é que um Touro sente numa tourada. No entanto, os estudos científicos feitos até agora apontam no sentido de que as agressões sofridas antes e durante as corridas sejam não só dolorosas mas incapacitantes. O touro fica com nervos e músculos rasgados, e a quantidade de sangue que perde continuamente enfraquece-o. Não parece ser sensato pensar que isto pode ser agradável para o Touro, ou mesmo indiferente.
O touro, tal como os outros mamíferos, ao ter sistema nervoso central tem capacidade para sentir dor, ansiedade, medo e sofrimento. E os sinais exteriores que mostra na arena denunciam essas emoções. Não é portanto razoável aceitar a ideia de que os Touros sofrem pouco numa tourada.

Há quem defenda que as Touradas enaltecem a nobreza do Touro.
Só uma mente muito ignorante ou distorcida pode realmente acreditar que os Touros quando vão para uma arena cumprem um qualquer desígnio divino.
A justificação de que o Touro é nobre por lutar pela vida numa tourada vem de quem alimenta o seu negócio e enriquece à custa deste espectáculo perverso mas rentável.
A nobreza é um conceito inventado pelo homem. Na natureza todos os animais são iguais e todos lutam pela sobrevivência. Ninguém duvida de que o Homem, numa luta com as suas armas e condições consegue ser superior a qualquer outro animal. Tentar provar isso numa luta desigual não é nobre, é estúpido.

publicado por dojaya01 às 23:11
De marius70 a 21 de Setembro de 2006 às 13:36
Desculpa lá animaleja mas só quero dar um tópico meu a este tema do Dojaya.

... e o nosso gado estava ali, pastando na erva fresca, quando as mulheres o atacavam com suas mãos nuas. Terias visto uma das mulheres pegar uma vaquinha que mugia, de úberes cheios, para levantá-la pelas patas traseiras com seus dois braços abertos.
Outras pegavam nossas vacas e as dilaceravam de uma extremidade a outra.
Terias visto algumas costelas, ou uma pata saltar pelo ar e pedaços de carne pendurados nos ramos dos pinheiros pingando sangue."
(Eurípedes)

Na Antiga Grécia, no culto a Dionísio, deus da loucura e da tragédia, existiram rituais de esquartejamento de animais, que nada mais era do que a representação do desmembramento do menino Dionísio pelos titãs:
"Com Perséfone, a rainha do mundo subterrâneo, Zeus teve um filho, Dionísio-Zagreu. O pai tinha a intenção de que o menino dominasse o mundo, mas os titãs o seduziram com brincadeiras para esquartejá-lo e devorar seus membros. Atena, no entanto, resgatou seu coração e o levou a Zeus, que o comeu. De Zeus, nasceu, então, um novo Dionísio, o filho de Semele. Zeus abateu os titãs com seu raio vingador e os reduziu a cinzas. Destas cinzas foi formado o homem e, por isso contém em si mesmo uma parte divina proveniente de Dionísio e uma parte oposta, proveniente de seus inimigos, os titãs".
O menino Dionísio sendo dilacerado e devorado pelos titãs pode ser visto como um modelo mítico de iniciação a que está sujeito o ser humano e a qual deve sofrer em seus primeiros anos de vida.
Rituais de canibalismo, sacrifícios e matanças se formaram na aurora da história e se atribui suas origens à culpa primitiva.
Esse ritual de culto a Dionísio foi evoluindo, passando mais tarde a ser uma arte e não um culto: a tauromaquia.
Aqui está a origem do que deu hoje em tourada. Bestas humanas, ainda com resquícios primitivos, vêem com deleite e quem sabe com orgasmos, a matança da besta animal em plena praça, redonda como era o Coliseu na antiga Roma, onde outras bestas humanas viam a matança de outros seres humanos com prazer. O Ser Humano não tem cura, será besta até ao fim dos tempos.


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